A mostra Brasil Ancestral: povos originários em diálogo será aberta em 19 de outubro de 2026, no Sesc em Castanhal. A exposição apresenta artefatos confeccionados e utilizados por povos indígenas.
Com curadoria de Márcia Wayna Kambeba, escritora e multiartista do povo Omágua/Kambeba, a iniciativa propõe um encontro entre cultura, ancestralidade e educação. Segundo a organização, a mostra reúne peças de povos da Amazônia brasileira, colombiana e peruana.
Estudantes, professores e a comunidade em geral estão entre os públicos aos quais a exposição se dirige. A visitação ocorre no Sesc em Castanhal, com encerramento previsto para 11 de novembro de 2026.

A proposta é valorizar a memória, a arte e os saberes indígenas, além de ampliar o reconhecimento das culturas originárias na contemporaneidade. A programação inclui artefatos, palestras, rodas de conversa e ações educativas.
Artefatos revelam a diversidade dos povos originários
As peças reunidas na Brasil Ancestral: povos originários em diálogo apresentam técnicas e conhecimentos ligados a diferentes povos indígenas. Segundo a curadora Márcia Wayna Kambeba, os objetos expressam relações com a natureza, a espiritualidade, o território e a vida coletiva.
Fibras trançadas, madeira talhada, penas, grafismos, instrumentos e utensílios estão entre as materialidades mencionadas por Kambeba. Para a curadora, cada escolha de material e cada forma de confecção podem guardar gestos, técnicas e memórias.
A mostra não reúne essas expressões para construir uma imagem única dos povos indígenas. Conforme Kambeba, as diferenças entre histórias, línguas, territorialidades e conhecimentos próprios são justamente o que torna possível o diálogo entre os povos.
Palestras e ações educativas ampliam o diálogo com o público
Além da exposição de artefatos, a programação prevê palestras, rodas de conversa e atividades formativas. Segundo a organização, essas ações integram a proposta cultural e educativa da iniciativa.
As atividades buscam aproximar o público dos conhecimentos e das expressões artísticas indígenas. A organização também aponta como objetivo contribuir para o enfrentamento de estereótipos e para o reconhecimento das culturas originárias na contemporaneidade.
O contato com as peças é apresentado como uma oportunidade de compreender os objetos para além da contemplação. Na proposta da mostra, eles se relacionam às pessoas e aos povos que produzem e mantêm os saberes transmitidos entre gerações.
Márcia Kambeba relaciona objetos, memória e território
A curadora Márcia Wayna Kambeba, escritora, multiartista e pesquisadora do povo Omágua/Kambeba, afirma que os artefatos não pertencem somente ao passado. Segundo ela, as peças guardam conhecimentos e relações com os territórios que permanecem vivos no presente.
No texto de apresentação, Kambeba descreve materiais como fibras, madeira e penas como portadores de escolhas, técnicas e memórias construídas ao longo do tempo. Ela também observa que o próprio gesto de fazer comunica conhecimentos, incluindo formas de reconhecer matérias e respeitar os tempos de coleta e preparo.
Para a curadora, compreender os objetos exige relacioná-los às comunidades que os produzem e aos saberes transmitidos pela observação e pela prática. “O diálogo acontece justamente porque existem diferenças”, afirma Kambeba ao explicar que a exposição procura evidenciar a diversidade sem apagar as singularidades de cada povo.
Serviço
- Evento: Brasil Ancestral: povos originários em diálogo
- Data: de 19 de outubro a 11 de novembro de 2026
- Horário: abertura às 14h; visitação de segunda a sexta-feira, em horário comercial
- Local: Sesc em Castanhal/PA


