História da Corda do Círio de Nazaré
A corda do Círio de Nazaré é um elemento icônico associado à celebração da festividade religiosa que acontece anualmente em Belém do Pará. Esta tradição remonta a 1885, quando uma enxurrada gerou alagamentos na Baía do Guajará. Durante a procissão, a berlinda que transportava a imagem da Nossa Senhora de Nazaré ficou atolada, dificultando o seu deslocamento. Por iniciativa de um comerciante, uma corda foi emprestada para que os fiéis pudessem ajudar a guiar a berlinda, estabelecendo assim um vínculo inesquecível entre os devotos e a santa. Desde então, a corda se consolidou como um símbolo central do Círio, representando a fé e a cumplicidade na busca pela intercessão divina.
O que é a Malva Amazônica?
A malva amazônica é uma fibra natural extraída de uma planta nativa da região amazônica, reconhecida por sua resistência e flexibilidade. Essa fibra se torna a matéria-prima principal para a confecção das cordas do Círio de Nazaré. A escolha da malva para este propósito não é apenas uma questão de funcionalidade, mas também uma forma de valorizar os recursos locais e fortalecer a produção regional. O cultivo da malva é realizado principalmente em municípios do nordeste paraense, como Nova Esperança do Piriá e Castanhal, onde produtores rurais se dedicam ao plantio e à colheita da fibra, contribuindo para a economia local.
A Segurança em Primeiro Lugar
A Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) tem priorizado a segurança das cordas que serão utilizadas nas procissões de 2026. Durante o último acordo com a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), foi enfatizado que a melhoria da segurança das cordas é essencial para evitar incidentes durante os eventos religiosos. O coordenador Antônio Sousa destacou a implementação de reforços adicionais nos nós e argolas da corda, com o intuito de garantir a durabilidade e a eficácia do item durante as romarias.

Produção da Corda em Castanhal
Para 2026, a Corda do Círio será completamente produzida na cidade de Castanhal, localizada no estado do Pará. A CTC será responsável por todo o processo, desde o entrelaçamento das fibras até a confecção dos nós e das argolas que se conectarão às estações durante as procissões. Essa iniciativa não só promove a produção local, mas também assegura que a corda mantenha a qualidade exigida para uma festividade de tamanha importância.
Importância Cultural do Círio
O Círio de Nazaré é uma das celebrações religiosas mais significativas do Brasil, atraindo milhões de devotos todos os anos. A festividade reúne pessoas de diversas partes do país, formando um laço de solidariedade e fé. A corda, como parte integrante das procissões, simboliza essa união e a devoção dos fiéis à Mãe de Nazaré. A manutenção da tradição da corda é, portanto, um modo de respeitar e preservar a cultura local e as práticas religiosas que definem a identidade da comunidade paraense.
Como a Parceria com a CTC Contribui
A parceria entre a DFN e a Companhia Têxtil de Castanhal, que começou em 2023, tem se mostrado vital para a produção das cordas. Este vínculo assegura que a manufatura das cordas não apenas atenda às demandas de segurança e qualidade, mas também envolva os trabalhadores locais, oferecendo suporte à comunidade. Ao optar por utilizar a malva amazônica, a DFN não só promove uma fibra de alta qualidade, mas também fortalece a economia regional, contribuindo para o sustento de centenas de famílias.
The Role of Local Farmers
Os agricultores que cultivam a malva amazônica desempenham uma função crucial no ciclo de produção das cordas do Círio. Com aproximadamente 300 produtores rurais envolvidos, cada um contribui com seu conhecimento e prática para garantir a qualidade da fibra. Este contato direto entre os produtores e a indústria têxtil não apenas favorece a produção local, mas também fomenta uma relação de respeito e valorização do trabalho rural, fundamentais para a sustentabilidade da economia da região.
O Processo de Fabricação da Corda
O processo de transformação da malva em corda é extenso e detalhado. Após a colheita, a malva passa por diversas etapas, incluindo afogamento, lavagem e secagem. Em seguida, a fibra é embalada e enviada à CTC, onde será amaciada, cardada, fiada, retorcida e finalmente embalada. Todo esse processo leva cerca de um mês e envolve a intervenção de cerca de 83 colaboradores diretamente, mostrando como a produção é uma atividade comunitária robusta e interconectada.
Mudanças de Materiais: Do Sisal à Malva
Antes de 2023, as cordas do Círio eram feitas de sisal, uma fibra resistente proveniente do cultivo em Santa Catarina. A transição para a malva amazônica foi uma decisão estratégica proposta pela CTC, destinada a proporcionar uma corda mais suave ao toque, que ofereça maior conforto aos devotos durante as celebrações. Essa mudança não só melhora a qualidade do produto final, mas também ressalta a importância da valorização dos insumos regionais, cobrindo assim uma grande variedade de benefícios sociais e econômicos.
Expectativas para o Círio de Nazaré 2026
Com a produção das cordas em andamento e a parceria com a CTC consolidada, as expectativas para o Círio de 2026 são altas. A DFN planeja realizar um evento seguro, respeitável e proativo, utilizando todos os recursos disponíveis para garantir a realização de uma festividade marcada pela fé e pela tradição. A entrega das cordas está programada para setembro, permitindo um tempo adequado para que as organizações se preparem para recebeu milhares de romeiros. Assim, a cada ano, o Círio se renova, trazendo à vida a devoção, a cultura e a esperança do povo paraense.

